O sol da manhã, que já ia alto, sussurrava "praia" ao meu ouvido. E eu, que gosto de sussurros, escutei com muita atenção. Foi assim, que, no sábado, logo após o almoço, rumámos à nossa praia holandesa de sempre, Katwijk aan Zee. A areia fina que me lembra ampulhetas, as dunas que nos protegem num abraço, o sossego maior daquele recanto de praia em frente ao restaurante Het Wantveld (se clicarem neste link, podem ver algumas imagens panorâmicas), onde, assim que chego, páro sempre para o espresso, o sumo de laranja natural e o típico croquete de carne holandês. Gosto destes hábitos "de sempre". Sou muito felina nos meus rituais e nos meus amores. Sei onde são as minhas casas e os meus recantos.
Um dos aspectos que mais aprecio, ao chegar ao Het Wantveld, é o cuidado com os animais. Há sempre taças com água para os cães. Na renovada "ladeira", a caminho da praia, contei mais de uma dúzia de canídeos. Há muitas pessoas com cães por aqui (às vezes, até mais que um), e muitos restaurantes preparados para receber os fiéis amigos.
Já na praia, estendidos nas nossas toalhas (a minha rosa, a dele azul), gosto do cirandar das gaivotas ao nosso redor e dos vôos rasantes com que nos brindam, aqui e ali. Desta vez, fizeram-me uma surpresa no mar. Ao caminhar pelo ritmo quieto do dia daquelas águas do Mar do Norte, vi, um pouco mais adiante, duas gaivotas sentadas naquela planície líquida, uma à minha esquerda, outra à minha direita. Fizeram-me sentir uma princesa, à medida que me aproximava. Parecia que o Universo (ou Deus) me dava as boas vindas naquele regresso ao Mar, que, até há bem pouco tempo, durante este Verão, me esteve vedado. Acabei ladeada por elas. Não, não partiram à minha chegada. Muito pelo contrário, quedaram-se por ali. E pareceu-me, que a sorrir.
Ontem, já não fui à água. Fiquei-me pelo areal, a sentir o sol na minha pele e a ler o "Passaporte", desta vez o capítulo sobre as visitas à Inglaterra literária, o mesmo será dizer, à casa de alguns escritores britânicos, como por exemplo, a de Charles Dickens, que gostaria muito, um dia destes, de conhecer.
E se, ontem, no final da tarde, o regresso foi directo a casa, no sábado, ainda parámos em Amesterdão e fomos jantar ao nosso restaurante de sempre. Falo do Bazar, uma antiga sinagoga convertida em restaurante islâmico. Gostamos muito do Bizar Bazar de carne, com ensopado de borrego e tabouleh (uma salada libanesa). E mais uma vez, ali também, havia taças com água para os cães.
"A visita à casa dos nossos escritores preferidos constitui uma maneira original de se passar férias. Depois de termos lido as obras, todas as suas obras, a deambulação tem qualquer coisa de mágico. É doce olhar a caneta com que ele escreveu, ver a cadeira onde se sentou, observar o que se vislumbra da janela do seu escritório. Escolhi para meu primeiro passeio, a casa de Charles Dickens, em Londres."
Maria Filomena Mónica, in Passaporte, 2009, página 149
Votos de boa semana para todos!
"A visita à casa dos nossos escritores preferidos constitui uma maneira original de se passar férias. Depois de termos lido as obras, todas as suas obras, a deambulação tem qualquer coisa de mágico. É doce olhar a caneta com que ele escreveu, ver a cadeira onde se sentou, observar o que se vislumbra da janela do seu escritório. Escolhi para meu primeiro passeio, a casa de Charles Dickens, em Londres."
Maria Filomena Mónica, in Passaporte, 2009, página 149


