Monday, 19 September 2016
Friday, 16 September 2016
O Inquérito sobre Reciclagem
Primeiro, foi o sino que tocou. Depois, ele optou pela campainha. Foi esta semana. Era um rapaz, perfeitamente identificado, que disse estar a fazer um inquérito sobre os nossos hábitos de reciclagem. Segundo entendi, a autarquia queria recolher informação e aproveitar para esclarecer alguns pontos.
Quantos contentores tinha eu, perguntou-me. Disse-lhe que 3.
"Dois azuis e um verde?". "Sim.", respondi, "Sendo o verde para o lixo orgânico e os azuis para o papel e o plástico.".
"E o verde tem separador?" Confirmei novamente que sim, bem como que colocava o lixo orgânico na parte da frente e o restante na parte detrás.
"A senhora sabe que pode colocar latas e embalagens no recipiente para o plástico?" Disse-lhe que o meu marido já me tinha informado.
"E na cozinha, faz a separação?" Ao que respondi que sim, que tinha 3 recipientes distintos.
"E usa os sacos próprios para o efeito?" Novamente disse que sim, que utilizava o saco verde para o lixo orgânico e os sacos brancos para o restante.
"E a reciclagem de objectos de maior porte?" Disse-lhe que ia com frequência aos centros de reciclagem.
Até aqui, as perguntas foram aquelas que eu estava à espera. O que me surpreendeu foram as seguintes:
"A senhora tem algum reparo a fazer quanto à reciclagem ou outros aspectos que considere importantes?"
Foi a primeira vez, na minha vida, que fui questionada pela minha edilidade se estava satisfeita com a minha zona envolvente e se tinha queixas a apresentar (ele mencionou a questão da limpeza). Em Portugal, nunca me tinha acontecido...e aqui, até à data, também não, mas há outras formas ao nosso dispor para apresentar ideias que beneficiem o bairro ( há até um orçamento específico ao qual nos podemos candidatar, por ex.).
" Quem? Eu?", respondi, ainda um bocado perplexa. "De todo. ", respondi. "Olhe à sua volta. Está tudo impecável: estradas, passeios, canteiros. Há pouco tempo, vieram limpar os esgotos e iluminação também está ok. Estou muito satisfeita com a Câmara Municipal (Stadhuis)."
" Alguma sugestão que queira dar? Alguma melhoria que ache necessária?"
Eu, muito agradavelmente surpreendida a olhar para o rapaz, que, naquele momento, representava a edilidade, disse-lhe que não. Que estava tudo bem e nada tinha a sugerir.
( lembrei-me que o problema da lomba que estava demasiado alta já tinha sido resolvido, e sem ser isso, não me ocorreu mais nada).
No final, disse-me:
" Nós vamos estar por aqui a falar com os seus vizinhos. Se, entretanto, se se lembrar de alguma coisa, diga: alguma reclamação ou sugestão de melhoria."
Sim, senhor, pensei eu com os meus botões...
E este é dos dos aspectos que me faz gostar muito de viver nos Países Baixos: o facto de sermos estimulados a intervir no bem-estar da sociedade onde estamos inseridos, seja com sugestões, projectos, doações, voluntariado...
E este é dos dos aspectos que me faz gostar muito de viver nos Países Baixos: o facto de sermos estimulados a intervir no bem-estar da sociedade onde estamos inseridos, seja com sugestões, projectos, doações, voluntariado...
Mentalmente, recapitulei alguns aspectos, a tentar descobrir algo que pudesse dizer/sugerir...:
o isolamento sonoro das janelas já foi medido, verificado e avaliado, sendo que está tudo de acordo com a lei e não vou precisar de mudar as janelas e os vidros ( cujos custos seriam da responsabilidade do município, uma vez que se trata de uma questão de saúde pública, dado que a autoestrada se situa aqui próximo);
fibra óptica em casa também já temos, que a autarquia mandou colocar por conta do orçamento local em todas as casas do município que quiseram ter mais esse benefício;
o corredor dos quintais tem sido limpo;
a paragem dos autocarros já foi alargada, o horário tem sido cumprido e os autocarros são muito confortáveis de uma forma geral e adequados a pessoas com mobilidade reduzida;
as passadeiras estão visíveis e os semáforos funcionam bem;
as passadeiras estão visíveis e os semáforos funcionam bem;
os parques infantis estão cuidados e foram recentemente alvo de novos apetrechos;
(o meu marido disse-me, depois, que há poucas semanas fizeram um abaixo-assinado para apresentar à Câmara, a solicitar uma protecção num dos passeios, que impeça as crianças de correr para a estrada e que ele a subscreveu).
os contentores de reciclagem do vidro e da roupa também estão em boas condições, bem como os marcos do correio;
a polícia e a "buurtpreventie" ( o grupo de vizinhos que faz a ronda do bairro) têm feito a vigilância;
a ambulância dos animais (que faz a recolha de animais feridos e/ou mortos nas estradas) e a carrinha do centro de saúde que faz a entrega dos medicamentos junto daqueles que não se podem deslocar também têm passado...
o site do bairro, onde os vizinhos pedem ajuda uns aos outros, também tem estado activo...
Não me lembrei de mais nada e acabei por não chamar o rapaz que continuava a entrevistar a vizinhança... Ainda não tive oportunidade de falar com os meus vizinhos, mas estou curiosa por saber se apresentaram alguma ideia. Os holandeses têm sempre algo a dizer ou sugestão a dar....Daquilo que me é dado a observar, são muito participativos na sociedade, seja nas organizações/actividades de bairro, seja no voluntariado ou na adesão às iniciativas locais levadas a cabo pelos municípios ou outras entidades (comerciais, por ex.).
Almere Haven, a zona mais antiga da cidade (que tem 41 anos).
De vez em quando, gosto de lá ir, especialmente aos gelados Mariola.
Fotografias tiradas ontem, no final da tarde.
Love you, Almere!
Votos de bom fim-de-semana para todos!
Thursday, 15 September 2016
Das noites abafadas do Estio holandês
Os dias têm estado muito abafados. Típico Verão holandês. Sendo que, para nós, o Estio mais agradável foi o do ano passado. Ontem à noite, em Amesterdão, janelas escancaradas, tal como aqui, no bairro, e creio que por todo o país. E as crianças muito pequenas e os idosos mais frágeis como aguentam, não sei. A ventoinha gira no quarto, mas não o ar. Para fazer alguma tarefa doméstica sem desfazer-me em suor e quase desfalecer entre o sobe e desce de escadas, acordo muito cedo, às cinco. Pelos vistos, a vizinha também, que ouvi o aspirador aí pelas sete. A tarefa que me dá mais prazer no momento é regar os canteiros e os vasos de flores dos jardins. Hoje, de manhã cedinho, encontrei-as murchinhas do calor intenso de ontem. Sim, mea culpa, que ontem à tarde, abandonámo-las e fomos para a praia dormir a sesta debaixo do chapéu de sol. Soube bem dormir, pois tem sido difícil nestes dias. A praia estava cheia e ainda pensámos que não conseguiríamos lugar de estacionamento. O mar, fresquíssimo, soube a dádiva dos deuses. Que devem andar loucos para nos darem dias assim. Acho que metade do país deve ter parado para ir à praia. Ou sou eu, que já estou com o juízo toldado das poucas horas de sono que temos tido. Ontem, o Bazar (o restaurante onde jantámos em Amesterdão, a caminho de casa) tinha as portas completamente escancaradas. Enquanto esperávamos pelo prato, que costumamos pedir, sempre que lá vamos (o Bizar Bazar de carne), saquei do meu melhor amigo destes dias, o meu leque, e pu-lo a trabalhar. Onde eu vou, vai ele: seja a concertos de blues ou a uma simples esplanada. A do Bazar, estava cheia, apesar de ainda decorrerem as limpezas na Albert Cuyp, a longa rua onde fica e lugar do mercado mais famoso da capital. O cheiro a peixe, nesta rua que parece infinita, ainda se fazia sentir um bocadinho e as garças andavam por lá, como de costume. Ao voltar para o parque de estacionamento, junto à Heineken, as esplanadas do De Pijp (o Quartier Latin cá do burgo) continuavam à pinha. Vestidos curtos, calções e sandálias e nenhum desejo de voltar para casa. Mas nós prosseguimos, a sonhar que se tivéssemos um estúdio nosso onde pernoitar na capital, também ficaríamos por ali....:-)
Wednesday, 14 September 2016
Uma sobremesa vietnamita
Num jantar muito agradável em casa da C. e do D.
Chè Ba Màu - A Sobremesa de Três Cores
Feijão (encarnado) cozido em açúcar, cubos de jackfruit (amarelo) e cubos de gelatina de melão (verde). Gostei imenso, mas não misturei tudo no leite de coco (que tinha sido colocado na base do copo), para ser mais do meu agrado. Uma sobremesa óptima em dias de calor! Enjoy!
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Tuesday, 13 September 2016
Uma porta, um aniversário e um concerto de Blues
O fim-de-semana, que começou num passeio em Weesp, após o jantar, conforme contei aqui,
terminou, muito bem, no passado domingo, num concerto de Blues dos Budding Blues Band, no Café op 2, em Almere. Nesse final de tarde, foi bom relembrar B. B. King, entre outros...
Pelo meio, no sábado, ainda estivemos numa festa de aniversário, cujas tradições destas bandas os meus caros amigos já conhecem...;-) A tarde estava óptima, aproveitámos bem o pátio e soprámos as velas do bolo de aniversário que estava delicioso. Nos "entretantos", muito holandês falei eu com os vizinhos da minha amiga, senhores. É que parecia que estava ligada à corrente e eles vá de puxarem por mim...Já no final da noite, a aniversariante, a cunhada e eu estendemo-nos no novo sofá que se pode transformar numa cama. Quase me deixava dormir, aninhada nas almofadas...Mas a conversa prosseguiu animada entre os seis que finalizaram a noite, comigo já meia Bela Adormecida, mas pronto...
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Sunday, 11 September 2016
Friday, 9 September 2016
Sekolah e outras palavras indonésias de origem portuguesa
No passado domingo, antes do passeio pelo porto de Roterdão, estivemos, com os mesmos amigos, no festival de comida indonésia, em Wassenaar. À entrada do recinto, este cartaz a indicar que estávamos no terreno da escola indonésia.
"Sekolah" em Bahasa (a língua da Indonésia) quer dizer "escola" e é uma palavra de origem portuguesa. Se os holandeses dominaram os portos da região a partir do século XVII, fomos nós os primeiros europeus a chegar ao arquipélago no século XVI: em 1512, com António de Abreu, que chegará à ilhas de Banda, que fazem parte das ilhas Molucas.
Abaixo, uma lista de palavras indonésias de origem portuguesa
"Sekolah" em Bahasa (a língua da Indonésia) quer dizer "escola" e é uma palavra de origem portuguesa. Se os holandeses dominaram os portos da região a partir do século XVII, fomos nós os primeiros europeus a chegar ao arquipélago no século XVI: em 1512, com António de Abreu, que chegará à ilhas de Banda, que fazem parte das ilhas Molucas.
Abaixo, uma lista de palavras indonésias de origem portuguesa
B
bangku (banco)
bendera (bandeira)
biola (viola)
bola (bola)
boneka (boneca)
D
dadu (dado)
dansa (dança)
G
gancu (gancho)
garpu (garfo)
gereja (igreja)
J
jendela (janela)
K
keju (queijo)
kelinci (coelho)
kemeja (camisa)
kertas (cartas)
L
lemari (armário)
M
meja (mesa)
mentega (manteiga)
Minggu (domingo)
N
natal (natal)
nina (menina)
nona (dona)
P
paderi (padre)
permisi (permissão)
pesta (festa)
pompa (bomba hidráulica)
S
Sabtu (sábado)
sabun (sabão)
santo (santo)
sepatu (sapato)
serdadu (soldado)
sinyo (senhor)
T
terigu (trigo)
terwelu (coelho)
tinta (tinta)
tukar (trocar)
Bom fim-de-semana!
A Língua Portuguesa da Indonésia ao Brasil...
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