Uma tarde outonal em Amesterdão, no sábado passado. De céu azul, folhas douradas e sem muito frio. Deixámos o carro no parque de estacionamento junto ao
Vondelpark e fomos caminhando, devagar, até à
Leidseplein, neste momento, em obras. De lá, voltámos para o Canal dos Príncipes (o
Prinsengracht).Ao fundo, a
Westerkerk, conhecida por muitos como
a igreja de
Anne Frank, dizia-nos que estávamos no caminho certo para a
Pancake Bakery, onde pretendíamos almoçar. Chegados lá, uma pequena fila desenhava-se à porta. À nossa frente, uma família espanhola. Já no aconchego do espaço, forrado a fotografias antigas, ficámos na sala traseira, junto à cozinha. Os tectos impressionavam, segurados nas suas traves robustas de madeira. As panquecas óptimas, como sempre, valeram os 15 minutos de espera no passeio. De volta ao Canal dos Príncipes, cruzámos a ponte para o lado oposto, e à medida que descíamos, fomo-nos deliciando com as lojas, das mais variadas, que nos acompanharam nesse caminho de regresso: lojas de fotografias de músicos, entre os quais David Bowie, uma outra de vidros de fabrico artesanal, mais uma de peças de vestuário em feltro, e outra de vinis antigos,
you name it... O tempo corria devagar e nós seguíamos no passo. Chegados finalmente à
Leidsestraat, comprámos umas botas pretas para mim, de salto 4 (mais do que isso, para a minha pessoa, é desconforto). O cansaço começava, no entanto, a fazer-se sentir e o corpo pedia que me tornasse num gato no sofá da nossa casa...Mas tínhamos sede e parámos, por isso, para um sumo de laranja natural fresquinho, no café do
Teatro da Cidade, na
Leidseplein. Soube bem descansar por uns momentos nas bonitas salas do
Stanislavski. Ao sair, senti-me
abraçada pela réstea de sol outonal daquela tarde que ainda se fazia sentir. Era como se o empregado do Teatro me pusesse o casaco pelos ombros, já depois da peça terminar e me dissesse com o olhar: "Vai agora, que o frio já se põe."... E eu fui...Nós fomos...