A paz. Procura-a. Mas uma paz que te trespasse todo e não a que te descanse apenas a superfície como a um pedinte que dorme num banco de jardim.
Vergílio Ferreira, Conta-Corrente 5, 1987
Há pouco dias, no lago, ao pé de casa, fotografia tirada com o telemóvel.
Um momento simples, sereno, sossegado. Um silêncio bom. De paz.
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Hoje, dia 22 de Março, pela manhã, um outro tipo de silêncio, desta vez, na carruagem do comboio. Um silêncio trazido já de casa, nos rostos, pelos acontecimentos ocorridos logo cedo, em Bruxelas. A carruagem parecia ser levada por este silêncio, numa viagem que prosseguia, aparentemente, mais devagar. Um silêncio de respiração contida, de preocupação introspectiva, mas também de inquietação partilhada, sempre que os olhares de uns se encontravam com os olhares de outros, parceiros na mesma viagem. Nesta busca instintiva de alentos, vi estes olhares alongarem-se em sorrisos enviados, recebidos e devolvidos, numa reciprocidade de amparos. Sorrisos que ficavam juntos, se prendiam, subtilmente entrelaçados, por alguns instantes, como que suspensos no ar, e pareciam soar como abraços invisíveis de um aconchego sereno e também de esperança.
Hes told us not to blow it
Cause he knows it's all worthwhile

Não sei como é que se vai resolver isto aqui pela Europa (e noutros lugares pelo mundo fora) e isso é uma coisa que me preocupa bastante.
ReplyDeleteGostei muito das tuas palavras de hoje, é um texto muito bonito, parabéns. Beijinho*
Não se pode viver nem com uma paz de superfície enquanto se repitam desastres como os de hoje.
ReplyDeleteComo compreendi essa troca de olhares solidários, confiantes mas receosos.
ReplyDeleteMuito bem escreves, Sandra !
Um beijo.
Agnes,
ReplyDeleteObrigada. :-)
Eu, que adoro andar de comboio e gosto tanto de aeroportos, dou comigo muito menos relaxada e a olhar com mais atenção, à minha volta. No comboio, por ex, procuro entrar numa carruagem, onde veja que entra um polícia também (ou alguém da NS). Não garante nada, mas sinto-me mais protegida.
Beijinho*
Bea,
ReplyDeleteConcordo inteiramente consigo e por isso escolhi esta frase do VF, que me pareceu tão pertinente. Não podemos continuar, na minha opinião, a mandar sinais ao exterior, de andarmos aqui em bicos dos pés, que só nos conduz à tal "paz de superfície" (como foi o caso em Itália, com as estátuas dos Museus Capitolinos, e que me chocou bastante).
João,
ReplyDeleteObrigada. :-)
Estou muito preocupada. Não me sinto livre, sabes, com esta falta de segurança.
Continuo a fazer a minha vida normal, mas tenho muito receio que possa acontecer alguma coisa semelhante na Estação Central de Amsterdam ou no aeroporto de Schiphol. Li que vamos ter mais patrulhas nos comboios, no aeroporto e nas fronteiras, mas mesmo assim, tenho receio, claro.
Acho que a Europa precisa de uma estratégia comum e mais estruturada ao nível da segurança para lidar com este problema. Mais cooperação e linhas de orientação mais partilhadas e assumidas.
Beijinho!
A fotografia é linda.
ReplyDeleteQuanto aos acontecimentos de ontem, é terrível. Para ti deve ser mais assustador porque estás fisicamente mais próxima. :-(
Beijinhos e coragem!!
Margarida,
ReplyDeleteObrigada. :-) Gosto muito de observar os cisnes no lago, sempre que vou às compras ao supermercado.
Ontem, senti-me muito assustada.
Gosto tanto de ir a Bruxelas e até tínhamos pensado em ir lá brevemente, mas neste momento, acho que não é prudente...
Beijinho!
O mundo em choque mais uma vez! Imagino que para quem vive perto deve haver a preocupacao de manter uma vigilancia mais apertada.
ReplyDeleteUma pena que as pessoas tenham que viver assim!
Um beijinho e gostei muito do texto Sandra.
Sami,
ReplyDeleteMuito Obrigada. :-)
Temos de andar atentos, sim. Pelo que tenho lido, espera-nos um ano complicado pela frente.
Um beijinho, Sami. :-)
Como se combate o terrorismo em que os agentes se fazem explodir tendo em vista alcançar o paraíso onde os aguardam sete mil virgens ?
ReplyDeleteA vigilância é necessária, mas não resolve...
Um beijo, querida amiga.
João,
ReplyDeleteUm problema muito complexo, de facto, de resolução difícil, e de duração longa, ao que tudo indica.
E pensar que o suicídio é proibido por todas as religiões monoteístas...
Ainda hoje, no Observador, saiu este artigo muito interessante:
http://observador.pt/especiais/corao-passou-lido-forma-radical/
Um beijo, querido Amigo.
Um texto muito bonito para focar esta catástrofe. Desejo que a Holanda não tenha destes infortúnios e que possamos todos controlar estes loucos sem fé.
ReplyDeleteBeijinho. :))
Ana,
ReplyDeleteObrigada. :-) Pelo menos, Palmira já foi recuperada...
E que venha a paz, que muita falta faz.
Beijinhos. :-)