Sei que tenho estado ausente. A todos peço desculpa. Este mês e meio, além de uma vida social um bocadinho mais intensa, andámos mais ocupados com as pinturas e remodelações no primeiro andar da casa. Por outro lado, foi também um período que nos trouxe algumas apreensões, duas ou três das quais vou partilhar aqui e agora, pois podem ser de alguma utilidade, sobretudo àqueles que estão a ponderar emigrar para cá.
A situação económica na Holanda, como é do conhecimento geral, tem vindo a piorar nos últimos 5 anos e, por isso, o discurso do Rei, no passado dia 17 de Setembro, em Haia, não me surpreendeu, muito embora, me tenha deixado preocupada.
Para quem não sabe, na terceira terça-feira de Setembro, dá-se o discurso do Rei, no Parlamento, em Haia. Este dia é conhecido como o Prinsjesdag. O Rei lê o discurso elaborado pelo governo, apresentando assim as principais medidas para o ano parlamentar que se inicia. O discurso deste ano foi um sinal bem claro do fim do Estado Social nos Países Baixos tal como o conhecemos. Este artigo, cuja leitura aconselho, sobretudo aos leitores que estejam a ponderar emigrar para a Holanda, dá uma ideia geral das actuais medidas de austeridade e da realidade que nos espera.
Segundo entendi, através de leituras posteriores, no que toca aos apoios à velhice, por exemplo, estes vão diminuir substancialmente e é esperado que os idosos do futuro (nós) fiquem sobretudo sob a responsabilidade dos familiares e até dos amigos (!). Neste ponto, não percebi exactamente como fica a situação daqueles que não têm filhos e cujos familiares estão espalhados por outros países e, por isso, sem lhes poder dar a assistência necessária, nem tão pouco a situação daqueles que emigraram tardiamente e, como tal, sem o mesmo nível de descontos/reforma daqueles que chegaram cá aos 18 anos. Estes dois grupos de pessoas (e especialmente aqueles que encaixam em ambas as categorias como é o nosso caso) vão deparar-se com mais dificuldades no futuro, em custear lares ou apoios domiciliários privados... E com as actuais medidas de austeridade, poupar para esse futuro torna-se ainda mais difícil.
Se alguém tiver informações mais rigorosas sobre este tema e quiser partilhar, agradeço. É bem possível que me esteja a falhar aqui alguma coisa, visto o meu domínio da língua nativa ser limitado. Já falei com várias pessoas, mas também não sabem explicar muito mais. Ando cada mais sensível a estas questões, especialmente devido ao que vou acompanhando da minha mãe em Portugal com as recentes mudanças legislativas ao nível dos impostos e da actualização das rendas de casa. No caso do IRS, a minha mãe passou a pagar 10 vezes mais e no caso da renda de casa, esta quadriplicou. São muitas mudanças para a minha mãe, cujo único desejo é estar sossegada. Valeu, pelo menos, o apoio legal gratuito da junta de freguesia no que toca à negociação com o senhorio.
Se alguém tiver informações mais rigorosas sobre este tema e quiser partilhar, agradeço. É bem possível que me esteja a falhar aqui alguma coisa, visto o meu domínio da língua nativa ser limitado. Já falei com várias pessoas, mas também não sabem explicar muito mais. Ando cada mais sensível a estas questões, especialmente devido ao que vou acompanhando da minha mãe em Portugal com as recentes mudanças legislativas ao nível dos impostos e da actualização das rendas de casa. No caso do IRS, a minha mãe passou a pagar 10 vezes mais e no caso da renda de casa, esta quadriplicou. São muitas mudanças para a minha mãe, cujo único desejo é estar sossegada. Valeu, pelo menos, o apoio legal gratuito da junta de freguesia no que toca à negociação com o senhorio.
No início de Outubro, a minha mãe deixou-me deveras preocupada. Estava tão em baixo que julguei que a perdia - vi a situação muito mal parada. Agora, parece mais animada, mas tenho muito receio de depressões nestas idades e circunstâncias. A minha mãe já só dá passinhos de bébé, não se aguenta de pé a cozinhar, e sempre que precisa de ir a algum lado, tem de ser de táxi. Também não pode estar dobrada a costurar nem ocupar-se com as tarefas domésticas. E sofre muito, psicologicamente, com todas estas limitações, como é compreensível. Mas tem muitas ajudas e ainda quer estar na sua casa. Já lhe disse para vir cá passar o Inverno, que a casa é mais quentinha, é um r/c e não tem de se preocupar com nada. Vamos ver se a convenço...
Não me canso de dizer que a situação dos nossos mais velhos é algo a ter em conta quando pensamos em emigrar, sobretudo, quando o pai ou a mãe é viúvo e tem problemas de saúde. Nestas situações, deixármos uma rede afectiva e efectiva de apoio é muito importante. Caso contrário, o nosso coração anda sempre aos pulos.
Muitas mudanças cá e lá, sobretudo a nível legislativo. Devemos estar mesmo no fim de um ciclo histórico. Até várias coisas cá em casa "deram o berro" ao fim de 10 anos de utilização. :-)) Uma delas foi a máquina de café expresso, cujos preços aqui são muito elevados, na ordem dos 400 euros em diante. Há-de ser a próxima compra quando formos a Portugal, onde, com 100/150 euros, conseguimos encontrar uma máquina de café expresso bem jeitosa. Nos entretantos, vamos utilizando uma cafeteira das avós e estamos muito bem. Por isso, já sabem: a emigrar para cá, não se esqueçam de trazer uma máquina de café expresso no enxoval...
;-)))
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Há que respeitar os silêncios que, muitas vezes, são outra espécie de música. Ou como dizia D. João II: "há um tempo de milhafre e um tempo de coruja".
ReplyDeleteA Sandra esteve a tomar balanço e, pelo que vejo (e tenho lido, por cá), as coisas, por aí, também não vão bem...
Seja como for, saúdo o seu regresso, escrito.
Obrigada, APS. :-)
ReplyDeletePreciso mesmo de silêncio em situações de mudança: para recolher informação, pensar bem, tomar balanço, como diz. É importante manter a calma para levar o navio a bom porto...
Como compreendo essa parte do nosso coração andar aos pulos... Embora a situação dos meus pais nem seja minimamente comparável à da tua Mãe, não consigo deixar de pensar neles e de querer tê-los aqui para estarem por perto e poder estar mais descansada, pois a idade não perdoa.
ReplyDeleteEspero que a tua Mãe se deixe convencer e passem um Inverno aqui bem gezellig :)
bjinhos
Deus te ouça! O receio da minha mãe é dar-me trabalhos e limitar-me os movimentos, além de que algo pior aconteça por cá. Receios próprios da idade...Vamos lá ver se, com jeitinho, consigo trazê-la cá, pelo menos, um mês...;-)
ReplyDeleteBeijinhos e tudo a correr bem por aí! :-)
O mundo está muito complicado e também acredito que estamos a assistir ao fim de um ciclo histórico. Confesso que acho assustador porque me parece um mundo cada vez mais desumano e, em contrapartida, mais dependente da tecnologia.
ReplyDeleteO tempo dirá no que isto vai dar, mas por vezes tenho a sensação que nos aproximamos de uma realidade do estilo do «Blade Runner» ou do «Minority Report».
Para já, fico preocupada com a tua mãe.
Bjns e que tudo corra pelo melhor!
Obrigada, Margarida. :-)
ReplyDeleteCompreendo o que queres dizer...Temos de ser mais unidos e tem de haver mais interajuda, assim como no caso da minha mãe, em que as relações de vizinhança e de primos funcionam; Caso contrário, é muito preocupante. Nós temos um continente envelhecido e a empobrecer... Vamos ter mesmo de nos ajudar... Quando olho para a situação da minha mãe, só espero, um dia, vir a ter a mesma sorte...Ainda ontem a minha madrinha foi lá fazer-lhe companhia(como vai todos os dias a bem dizer); e faz-lhe as compras na praça e no talho e vai ao banco pagar-lhe a renda de casa; o sr do café leva-lhe refeições caseirinhas diariamente, o neto da outra vizinha vai despejar o lixo e buscar o pão, a senhora que lhe limpa a casa também é impecável... Eu vejo que as pessoas ajudam com gosto, com verdadeira amizade (sem aquela postura da pena e do coitadinha) e é esta entourage amiga e afectuosa que permite que a minha mãe ainda esteja em casa, sem necessidade preemente (ainda) de ir para um centro de dia e lá deparar-se com outras situações mais difíceis.
Rezo para, um dia, termos a mesma sorte: poder ficar o maior tempo possível nas nossas casas e rodeados de afecto.
:-)
Beijinhos!
Se a entendo!
ReplyDeleteO nosso pais mergulhado numa crise...poupar (se é que é possível!)...é a palavra de ordem!
(Pior é os que não têm nem para poupar!)
Quanto aos nossos amores...minha mãe fintou a morte e agora acamada ...impressiona a sua serenidade e nós vamos mimando-a o melhor que sabemos e podemos!
Quanto à máquina do café...café é sempre café com seu cheiro inconfundível!
Bj
Eu gosto muito destas cafeteiras. Trazem-me memórias da infância. :-)
ReplyDeleteAté acho que o cheirinho é melhor...:-))
Um beijinho para si e outro para a sua mãe. :-)
Os problemas, cá como aí e um pouco por toda a Europa (mundo), vão num crescendo cada vez mais assustador.
ReplyDeleteOs problemas sociais agravam-se a cada dia que passa. O caso dos idosos - felizmente a sua mãe vai tendo vários apoios -, em muitos casos é verdadeiramente dramático. A juntar aos aspectos que refere, aumentos da renda, redução das pensões, etc., ainda têm que ajudar os filhos a quem o desemprego bateu à porta.
Estamos a viver, sem sombra de dúvida, um virar de página, mas muito doloroso.
Era óptimo que a mãe fosse passar aí uns tempos convosco, oxalá consiga convencê-la.
Beijinho.
Conheço algumas situações dessas (o caso de alguns familiares) e que, por isso, estão a tentar emigrar, mas também sem sucesso em encontrar trabalho no exterior. Aqui, por exemplo, cada vez pedem mais o domínio da língua holandesa...
ReplyDeleteUm beijinho, GL, e obrigada pelos seus votos.