Sunday, 23 July 2017

Sebastião Salgado no Nederlands Fotomuseum



A quem estiver por cá e possa interessar, aconselho.

No Nederlands Fotomuseum, em Roterdão.
Até 17 de Setembro.

Fomos até lá este Sábado, mas já tinha visto há 2 anos em Lisboa.
E voltei a gostar. Só que, desta vez, trouxe uma caixa de postais da exposição.





Do tempo em que ainda não havia máquinas fotográficas digitais...

Uma sequência da série Os Americanos.


Ao som de Slice of Life do grupo de rock gótico Bauhaus
O vocalista, Peter Murphy, foi várias vezes fotografado pelo fotógrafo holandês Anton Corbijn (que também dirigiu vários video clips dos Depeche Mode, por exemplo).



Votos de boa semana!


Saturday, 22 July 2017

Bom fim-de-semana!


Uma das minhas canções preferidas dos Depeche Mode.

Para vos desejar um bom fim-de-semana, com tudo de certo para vós.


Thursday, 20 July 2017

Post temporário


O post anterior foi clarificado e alongado. Não estava a falar de amigos, mas dos profissionais de saúde que me acompanharam ( e alguns deles ainda continuam) e isso não ficou claro. Hoje, já com o dia mais fresco, e não insuportavelmente húmido e abafado como ontem, escrevi um post mais longo e preciso como pretendia. Desculpem e Obrigada.

Wednesday, 19 July 2017

Private Post


Hoje o meu coração são nomes e rostos que significam Humanismo e Gratidão. Hoje o meu coração tem um nome imenso, onde ainda faltam nomes que não fixei, mas cujos rostos e vozes não esqueço: Pim, Marleen, Joyce, Jimmy, Eleanora, Femke, Sabine, Nicole, Yvette, Lara, Vlemmix, Berghuis, Muller, Leiden, Rutten, Heijink, Hendriks, Oesha, Jacqueline, Hank, Sheran, Reinou, Mi, Rob, Zahara,...Estes são os nomes dos meus principais cuidadores (três magníficos dos seis cirurgiões que estiveram no teatro de operações durante quase 6 horas, médicos-assistentes e enfermeiros, a ajudante que me dava o banho na cama, a senhora do Patient Lounge, as enfermeiras do Home Care). Com todos tive uma história, ou mais que uma, que ficará para a minha História. Para eles vai a minha Gratidão por todo o seu Humanismo. Porque faz hoje 3 meses, com tudo o que se passou depois. E volto a dizer, faltam aqui nomes, que não memorizei: malta que foi chamada para ajudar quando a situação, por vezes, ficava mal parada (como os anestesistas para  me tirar sangue, quando não se conseguia à nona tentativa, ou mais enfermeiros, como aquela que me disse "a senhora vai sair disto" quando estava num momento mais crítico e já pensava "que era desta que patinava"); a enfermeira que me fez a cistoscopia e me relaxou para esta intervenção, dizendo-me durante o procedimento que era preciso ter coragem quando se é o paciente; e aqueles que foram estando lá sempre, embora em Portugal sejam considerados quase invisíveis ou pouco importantes, como a senhora do catering (que me disse que se preocupava comigo e andava sempre numa ralação porque eu não comia nada ou muito pouco), ou a da limpeza do quarto ( que me perguntava sempre como estava e ficava um bocadinho a conversar comigo), bem como os maqueiros (sempre atentos, com um sorriso, bem-dispostos e com dois dedos de conversa, muito importante quando vamos ansiosos para algum exame ou intervenção; já sem falar na imensa sensação de fragilidade que é andar a passear de cama no hospital). Desde os cuidadosos médicos da Dor, aos médicos e técnicos de Diagnóstico e às equipas de Radiologia de Intervenção (e daqui também a primeira recepcionista) e de Medicina Nuclear, que me aturaram choros, quebras, dores, falta de mobilidade, a todos devo um Muito obrigada. Do que se passou ao longo destes 3 meses, haveria muito para contar...

Ao Dr Pim, agradeço, sobretudo, o facto de me ter vindo visitar todos dias durante o meu primeiro internamento em Abril ( entretanto, ele saiu a trabalho por largas semanas para o Caribe) e ficarmos a conversar como se o tempo não importasse (especialmente no segundo dia, assim que soube que eu estava mais embaixo). Um excelente médico e cirurgião e dono de uma simplicidade ímpar. Um senhor. À Eleanora, uma Ennio Morricone da enfermagem, tal a graciosidade com que executa os mais simples movimentos da profissão (não esqueço a delicadeza dos gestos com que refrescava o rosto das pacientes, o meu incluído, ou a dignidade com que transportava os jarros do xixi). Foi também com ela que fiz as primeiras tentativas para me sentar e dar os primeiros passos. À Yvette, a enfermeira que me trouxe um chá na madrugada em que deixei a epidural para a morfina (era ela que estava responsável por mim nessa noite), de forma a dar-me um pouco mais de conforto para o impacto das dores que depois senti. À Dra Marleen, que nunca me escondeu nada (tal como o Dr Pim) e que ficou frustradíssima pela situação que correu mal durante a cirurgia (eu não fiquei propriamente espantada, pois sabia que era um dos riscos que corria numa intervenção como esta) e me garantiu e coordenou toda a assistência posterior. Uma timoneira, que comandou o barco muito bem, quando, ainda por cima, surgiram complicações posteriores e conflitantes entre si. Às médicas que me socorreram nos episódios de urgência (Vlemmix e Muller) e com quem eu já tinha estado anteriormente - só tive de telefonar para o hospital e assim que lá chegava, subir para o departamento, onde era atendida com muita privacidade e num ambiente sereno, para ficar depois. Às enfermeiras que depois das altas me telefonavam a perguntar se estava tudo bem - prática standard e que muito apreciei. Às Dras Berghuis e Leiden, que preparam muito bem toda a minha transição do hospital para casa com os serviços de Enfermagem Domiciliária (thuiszorg), os serviços de trombose e a Mathot, a empresa que envia o material de enfermagem para nossas casas, juntamente com a enfermeira Sabine, que, no último dia, sentada na minha cama, me disse: " A senhora é muito forte". À Oesha e à Jacqueline, as enfermeiras especializadas que cuidaram muito bem de mim, já em casa. E à Mathot, que nunca falhou no envio do material, que eu tinha de mudar impreterivelmente a cada cinco dias. Por último, queria salientar que em nenhum momento tive o trabalho ou a preocupação de marcar consultas, exames, intervenções, etc, a partir do momento em que dei entrada no hospital. Tudo foi decidido entre as diversas equipas que me seguem ( são 3 departamentos distintos, mas que têm trabalhado em conjunto) e marcado por eles, que, entretanto, me foram comunicando as datas, através dos planos de acompanhamento, cada vez que voltei para casa ( o mesmo sucedeu há dias, e já tenho tudo marcado até Outubro). Da mesma forma, que estão em comunicação permanente com a minha médica de família, enviando-lhe relatórios detalhados, e dos quais recebo exemplares em papel, apesar de publicados na minha página no site do hospital, no qual também são colocados os resultados de todos os exames e as datas das consultas. Assim como também achei muito bom o facto de tudo ficar registado electronicamente durante as rondas pelas enfermeiras: medicamentos tomados (morfina, paracetamol, antibióticos, injecções de heparina, comprimidos para o enjoo. etc), medições várias (tensão arterial, nível de oxigénio no sangue, temperatura). Uma questão de segurança para elas e para nós, aqueles computadores rolantes, onde cada colega de turno registava tudo o que se tinha passado com a paciente.


Durante todo este tempo, acho que nunca senti que estava num hospital (e olhem que foram vários internamentos). O sossego da enfermaria (e eu tanto fiquei em quartos de uma como de quatro camas), a organização, o espírito de equipa, a Arte por todo lado (esculturas, pinturas), o lounge dos Pacientes, a zona comercial e de restauração, as condições do quartos, a gaivota que me vinha visitar à janela, tudo contribuiu para que me sentisse num espaço amigável, onde estava a ser muito bem cuidada. Acima de tudo acho que nunca esquecerei a amabilidade das pessoas, das recepcionistas aos médicos, muito importante quando experienciamos situações de grande fragilidade (não conseguir mexer, sentar, levantar, andar, tomar banho, como foi o meu caso, por exemplo). O Dr Pim chegou-me a perguntar se iria escrever sobre o que se estava a passar. Tinha-lhe dito que não, que era demasiado pessoal ( e de certa forma, continuo a manter a parte que me toca mais resguardada). Mas depois rectifiquei e disse " Só se for para ajudar outros expats com informação útil e tranquilizante", que, espero ter passado, pelo menos alguma, nem que seja uma mensagem de confiança. Por outro lado, também queria escrever um post sobre eles, os meus cuidadores (por uma questão de justiça). Espero ter conseguido. Ontem não foi possível, com a humidade e o calor abafado. E sinto que este post ainda não acabou, porque gostava de contar mais sobre cada um deles. Talvez um dia ainda volte aqui.

E porque falámos do Sting, eu, o meu marido e a Femke, num fim-de-semana muito crítico para mim, no passado mês de Maio...Eu, desta canção; a Femke, de outra que gosto muito, Fields of Gold.









Post actualizado a 20.07.2017 às 08:22.


Tuesday, 18 July 2017

Do convívio com os vizinhos


Gosto muito dos meus vizinhos. Não chateiam, não se metem na minha vida, são discretos, estão na deles e eu na minha. Não passamos a vida na casa uns dos outros, mas há muita simpatia quando nos encontramos, por acaso, na rua, e ajuda, sempre que necessária, aparece de forma muito cordial. E, depois, há momentos de espontaneidade que tenho apreciado bastante. Eis algumas pequenas histórias que ilustram esta nossa dinâmica.

Convívio espontâneo

Há dias, ia eu despejar os lixos, mas pelo caminho da frente (não podia ir pelas traseiras porque a porta da sala que dá para o quintal tinha sido pintada e estava a secar), quando os meus vizinhos do canto da rua, arménios, e que estavam sentados no seu jardim da frente, meteram conversa comigo e convidaram-me a sentar com eles e a partilhar o queijo e a salada. Sei que acabei a despejar os sacos nos contentores destes meus vizinhos (o meu vizinho encarregou-se logo disso) e a ficar numa conversa de redor de mesa quase duas horas. Éramos 5 (3 arménios, uma portuguesa e uma venezuelana). À medida que a tarde findava, quieta nas suas horas de Verão, lembrei-me dos longas e serenas tardes de Estio da minha infância - do pátio onde os meus avós moravam e onde os vizinhos gostavam de se sentar em banquinhos, à frente das respectivas casas, a conversar, enquanto, nós, crianças, brincávamos por ali, entre aquelas paredes caiadas de branco, cobertas por flores e trepadeiras. De recordação em recordação, foi inevitável falar de Calouste Gulbenkian, esse arménio que nos deu o nosso verdadeiro Ministério da Cultura e da Ciência, dos jardins e museus da sua Fundação que tanto gosto, e onde ia, com muita frequência, quando estudava na Faculdade, lá ao pé. Soube bem este inesperado, este 5 à mesa, a alguns passos da nossa casa, com o meu marido a vir à rua, ao notar a minha demora, e a retirar-se, sem me chamar, mas já mais sossegado, ao observar a cena, uns quantos metros mais adiante.

Ajuda imediata

Há um mês e meio, vivi aqui um momento de maior aflição quando me preparava para dormir por volta das nove da noite. Depois de telefonar aos serviços de enfermagem domiciliária que me acompanhavam então e assim continuaram até há poucos dias, telefonei também à minha vizinha F., que é enfermeira num hospital da capital, a perguntar-lhe se podia passar por aqui. Embora a mãe dela estivesse cá de visita, vinda do Suriname, a F. veio imediatamente e só se foi embora quando fomos para o hospital em Amesterdão (e que não é aquele onde ela trabalha). Eu estava muito assustada nessa noite e a presença dela foi de um conforto e segurança muito importantes para mim e para nós. Mais tarde, disse-me que receou que eu não aguentasse e desmaiasse pelo caminho, tendo em conta o sangue que eu continuava a perder. Gosto muito da F. Vemo-nos, pouco, é certo, mas assim que lhe telefonei durante o meu primeiro internamento do mês de Maio,  a pedir que fosse ela a dar-me a injecção necessária na minha noite de regresso a casa, foi logo muito pronta (quando eu podia ter chamado a enfermeira domiciliária, uma vez que o hospital já tinha requisitado esse serviço). Na manhã seguinte, voltou de novo, sorrateiramente, para não me acordar, com um pratinho de frutos vermelhos (um pratinho de vitaminas, como ela disse), que deixou com o meu marido. Há dias, fui a casa dela, oferecer-lhe uma pequena travessa com tortas de Azeitão. Ela estava muito feliz por me ver bem melhor e acabámos na conversa, como o meu marido antecipara. A ver se um dia destes, vamos caminhar juntas aqui pelo bairro (sugestão dela). Entretanto, em exposição no aparador da sala, o postal de agradecimento que lhe tinha deixado na caixa do Correio.

Partilha da vida privada de forma espontânea

Há algumas semanas que tínhamos reparado que o carro do nosso vizinho D. não estava por aqui. O meu marido, mais atento a estas coisas que eu (sempre fui muito distraída), disse-me que desconfiava que os vizinhos (neste caso, holandeses) se tinham separado. Eu já tinha visto a M. e ela parecia-me bem. Por isso, a ter havido uma separação, calculei que tivesse sido amigável. Voltei a cruzar-me com a M. na rua, mas nunca lhe perguntei nada de mais específico (não é do meu feitio ser intrometida), mas indaguei se estava bem, como faço habitualmente. Até que, na tarde em que nos estávamos a despedir dos pintores que estiveram cá em casa, a pintar as portas, as janelas e a vedação do quintal, ela perguntou-me se eu estava satisfeita com o trabalho deles e ficámos mais um pouco à conversa. Foi aí que ela me contou, sem que eu estivesse à espera, que se tinha separado e iria divorciar-se. Gostei que a conversa tivesse surgido de forma espontânea e quando ela se sentiu preparada para falar no assunto. Gosto de respeitar o tempo psicológico de cada um. Desde que me saibam por perto e presente, isso é que importa. E como não a julguei (nem me competia), ela acabou por desabafar bastante. Por fim, disse-lhe que se fosse preciso alguma ajuda, era só tocar à campainha.

Situação inusitada espontânea

Já não me lembro por que razão fui tocar à campainha do M. e do J. (holandeses). Terei ido buscar uma caixa deixada pelos Correios com material de enfermagem enviada pela Mathot? Não me recordo. Sei que o M. atendeu e acabámos a conversar sobre os nossos estados de saúde. Geralmente, eles convidam-me a entrar (não muito habitual por estas paragens), mas, desta vez, acabámos, naturalmente, a conversar à porta (estava bom tempo, talvez por isso). Vai o M. não esteve com meias-medidas: " Vou baixar as calças para veres como o joelho ficou para dentro.". E ali ficou de boxers, à porta, à minha frente. ;-)) Contexto: nós temos a mesma idade, damo-nos bem enquanto vizinhos, e ele tinha sido operado há pouco tempo. Ah! E já agora, os boxers eram giríssimos! ;-))

Moral da história: podemos não andar na casa uns dos outros, mas damo-nos bem, com cordialidade e entreajuda, e isso, para mim, é o mais importante. Talvez ajude o facto de não vivermos num prédio - digo isto, porque nos nossos dois primeiros anos por estas bandas, vivemos num bloco de apartamentos e só conhecíamos os vizinhos do lado. Mas cada pessoa terá a sua experiência, como é óbvio...

Monday, 17 July 2017

Sabores e sons portugueses por cá


Destes dias, destas semanas...

Almoçar no Nata Lisboa, empadas várias (a de farinheira é especialmente deliciosa!!), uma sangria tinta perigosíssima (como eu gosto!!), um café Delta e um pastel de Nata (e os deles são tão cremosos!!). E escutar, por lá, música portuguesa da boa, como Jorge Palma (Encosta-te a mim), Humanos (Mudar de Vida) e Manuel Freire (Pedra Filosofal).

Ir ao armazém do Neves, a Halfweg, comprar Cerelac, bacalhau, farinheira, vinho Alvarinho, tremoços, ... E comer um pão com chouriço como não fazia há muito...

Aos Sábados, comprar tortas de Azeitão ao senhor português do mercado na Stadhuisplein (a praça do município cá do sítio).

E, de vez em quando, sobretudo nos dias de calor, avançar nas garrafas de Mateus Rosé ( que gosto bem fresquinho), compradas na Sligro...




Sunday, 16 July 2017

Arménia, turca ou iraniana



Não sei se o mesmo acontecerá a outras portuguesas a residir no estrangeiro. No meu caso, perguntam-me muitas vezes, por aqui, se sou arménia, turca ou iraniana. Confesso que, nas primeiras vezes, fiquei muito espantada. Agora, já me habituei. Dizem-me que é das feições, marcadamente caucasianas (tenho nariz aquilino, cabelos e olhos castanhos, rosto arredondado e olhos fundos).

Só uma vez me perguntaram se era italiana (quando me escutaram a falar português) e francesa (pela forma como me vestia).

E nunca, até à data, alguém me perguntou se era portuguesa.