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Thursday, 16 March 2017

Purple Gold




E quando a Primavera volta, ei-la de novo, ao fim da tarde,

entre Almere Pampus  e Almere Oostvaarders, para assistir ao pôr-do-sol...

Outro dos nossos rituais, nestes dias maiores...
















Entre os teus lábios 
 é que a loucura acode 
 desce à garganta, 
 invade a água. 

 No teu peito 
 é que o pólen do fogo 
 se junta à nascente, 
 alastra na sombra. 

 Nos teus flancos 
 é que a fonte começa 
 a ser rio de abelhas, 
 rumor de tigre. 

 Da cintura aos joelhos
 é que a areia queima, 
 o sol é secreto, 
 cego o silêncio. 

 Deita-te comigo. 
 Ilumina meus vidros. 
 Entre lábios e lábios 
 toda a música é minha.

Eugénio de Andrade, Retrato Ardente, in Obscuro Domínio, 1971

São paisagens como estas e poemas como este que têm o condão de serenar-me o espírito em momentos mais conturbados, quer da minha história pessoal, quer do mundo que nos rodeia e do qual fazemos parte.

Do álbum Listen Without Prejudice, de 1990, uma canção que me diz muito e continua tão actual como há 27 anos...




Continuação de boa semana!