Os dias têm sido quentes e o corpo tem andado a pedir uns miminhos. Ontem, tirei um dia só para mim e fui ao higienista oral, às compras para as férias, à cabeleireira, e à esteticista fazer manicure, pedicure e arranjar as sobrancelhas. No final do dia, senti-me muito melhor, mais limpa e arranjada.
Costumo dizer a quem emigra, sobretudo sozinho ou como expat wife, para não ter medo e sair, experienciar, conviver. Ao fim de um tempo, as pessoas já nos conhecem e tratam pelo nome próprio. Nesses momentos, sentimos que passámos a existir, e aos poucos, segue-se outra grande conquista, o passar a pertencer. É como voltar a nascer outra vez, mas numa outra família, num outro espaço e com toda uma história para escrever de novo. Ganhar esse reconhecimento, esse espaço, essa identidade é de uma alegria e sentido de realização sem paralelo para um expatriado.
Os momentos em que arriscamos a conhecer o Outro - e aqui completamente sem rede, como foi o meu caso, isto é, sem conhecer ninguém previamente, a língua ou o espaço - pode ser assustador, mas ao mesmo tempo libertador e, de certa forma, e muitas vezes, mágico. Os nossos sentidos passam a estar muito despertos - somos bébés, novamente - e começamos a reparar em tudo para saber como agir e o que dizer.
É desse encontro de culturas permanente que é o meu dia-a-dia que vos quero falar nos próximos posts: o que se passa quando vivemos situações aparentemente muito simples, como ir à clínica dentária, à manicure ou ao cabeleireiro. Estas semanas foram especialmente ricas em pequenas histórias/notas - algumas das quais já partilhei aqui -, mas ontem, achei o dia particularmente interessante e curioso, sobretudo por causa da minha ida à esteticista.