Wednesday, 3 February 2016

David Bowie is


Ao entrar naquela sala, no Groninger Museum, a tua recente partida fez-se muito presente. Era como se falasses para nós do plano onde agora estás. E em silêncio, os olhos humedeceram, devagar e discretamente, enquanto te ouvia cantar "Space Oddity". Ground Control e Major Tom eram  a metáfora da nossa despedida. Tua. De nós. 




Ground Control to Major Tom 
Ground Control to Major Tom
(...)
Ground Control to Major Tom (Ten, Nine, Eight, Seven, Six) 

Commencing countdown, engines on (Five, Four, Three) 
Check ignition and may God's love be with you (Two, One, Liftoff) 

This is Ground Control to Major Tom 
You've really made the grade
And the papers want to know whose shirts you wear 
Now it's time to leave the capsule if you dare 

This is Major Tom to Ground Control
I'm stepping through the door 
And I'm floating in the most peculiar way 
And the stars look very different today
For here am I sitting in my tin can
Far above the world 
Planet Earth is blue 
And there's nothing I can do.

Though I'm past one hundred thousand miles 
I'm feeling very still 
And I think my spaceship knows which way to go 
Tell my wife I love her very much, she knows 
Ground Control to Major Tom 
Your circuit's dead, there's something wrong 
Can you hear me, Major Tom? 
Can you hear me, Major Tom? 
Can you hear me, Major Tom? 
Can you hear 
And I'm floating around my tin can 
Far above the Moon.
Planet Earth is blue 
And there's nothing I can do.

"Space Oddity" (1969)

Obrigada por esta exposição magnífica que nos preparaste e deixaste como presente.

David Bowie is



Adorei, sobretudo, a forma como nos despedimos em grande, na sala maior...Já sabes que não sou capaz de ficar parada quando a canto contigo. Alma e corpo soltam-se em luz e acreditar. Dançá-la é inevitável. Vivê-la, inesquecível.  "Heroes", claro.

We can be Heroes
We can be Heroes 
We can be Heroes 
Just for one day 
We can be Heroes



No Groninger Museum,

em Groningen,

até dia 10 de Abril.









Sunday, 31 January 2016

Seviyan: uma sobremesa indiana a lembrar a Aletria


No passado fim-de-semana, fomos almoçar e passar a tarde de Domingo a casa de uns amigos indianos, em Haia. O almoço, tudo pratos tradicionais, estava óptimo. 
Entre a conversa e os risos, não fotografei nenhum dos pratos. Mas, a sobremesa, por me fazer lembrar a nossa Aletria, fez-me levantar da mesa e ir buscar a máquina à carteira que tinha deixado pendurada no corredor...

Seviyan 

Uma massa fininha e doce, coberta por avelãs partidas aos bocadinhos.



Um doce Domingo para todos!

Friday, 29 January 2016

Um bom amigo holandês


Um amigo, um gesto, uma flor para celebrar!



"A felicidade não está no que acontece mas no que acontece em nós desse acontecer."

Vergílio Ferreira  (1916-1996)

A Holanda tem-me/nos dado amigos atentos e queridos. Ontem, de manhã cedo, um amigo nosso, holandês, casado com uma amiga minha, que começou por ser minha colega no curso de Neerlandês, teve o cuidado de enviar um sms ao meu marido a alertá-lo que o medicamento à base de levotiroxina Thyrax ia ter a produção interrompida, estando já muitos pacientes a caminho das farmácias por causa dessa situação.

O I. e a M. sabem que tenho Hipotiroidismo e tomo um comprimido de levotiroxina todas as manhãs, em jejum. O I. estava preocupado que não soubéssemos da notícia, pois as consequências da falta do medicamento não são nada agradáveis (cansaço e falta de forças avassaladores, por exemplo, e sei isso por experiência própria).

Por acaso,  o que tomo não é Thyrax, mas sim Euthyrox 100 e foi isso que dissemos no sms que lhe enviámos. E que ficasse tranquilo, que ultimamente compro aos frascos para 3 meses...

Apreciámos muito o cuidado, pois as manhãs dele e da M. são geralmente de muita azáfama, com os dois a trabalhar fora de casa, duas crianças pequenas para levar ao jardim infantil e sem ajudas domésticas ou familiares.

Um gesto bonito, o do I., que nos deixou a sorrir logo pela manhã, pelo cuidado e atenção demonstrados...

Thursday, 28 January 2016

De Waag, Leiden


Onde queremos voltar numa próxima, para jantar em Leiden...

De Waag

Monumento nacional, século XVII (1657), da autoria de Peter Post,  que foi um dos criadores do Estilo Barroco Holandês, juntamente com o seu colaborador de longa data, Jacob van Kampen.


O De Waag era o edifício onde se pesavam e vendiam as mercadorias, como os queijos, por exemplo, tendo funcionado como tal até 1972. Hoje alberga um restaurante.



E ali ao pé...
Leiden ainda com as luzes de Natal...


Wednesday, 27 January 2016

Café Olivier, Leiden


O jantar, após o concerto de jazz (do qual saímos à francesa, um pouco antes do final), foi no antigo Hospital de Santa Isabel, hoje um restaurante especializado em cervejas e pratos belgas.: O Café Olivier

O prato que escolhi:

Brochette van rund, varken en kip met groenten en aardappelgarnituur

Brochette de bife, porco e galinha acompanhada de vegetais e batatinhas

O molho era delicioso, as carnes tenrinhas. Gostei muito. E aconchegou na viagem até Almere.
Não experimentámos as cervejas belgas disponíveis, nem entradas, sobremesas e café, por isso, só posso comentar o prato principal.



Este prato é uma das especialidades da casa e gostei do pormenor de ser servido em louça antiga.

O restaurante em si é um espaço de diversas salas e vários bares, com mobiliário de outras eras, em madeira...

Aqui e ali, peças de museu e fotografias dos Reis dos Belgas, Fabíola e Balduíno...

No andar de baixo, junto aos quartos-de-banho, um pequeno museu com objectos de farmácia a lembrar o antigo hospital que ali funcionou.

As portas do quarto-de-banho das senhoras são muito bonitas, lacadas a branco, em traço neo-clássico, pareceu-me. Junto ao lavatório, uma fotografia de Alberto I, Rei dos Belgas e da sua mulher, a Princesa Elisabeth da Baviera. Esta princesa, por casamento, Rainha dos Belgas, era neta do Rei Dom Miguel I de Portugal.

O edifício data de 1892 e é de estilo neo-gótico. Inicialmente, pertencia à Congregação das Irmãs Franciscanas, que ali fundaram um Hospital. Oitenta anos depois, em 1972, o Hospital (actualmente com o nome Rijnland Ziekenhuis) mudou-se para Leiderdorp,  e o edifício, desde então, tem alojado muitos estudantes internacionais, que vêm frequentar a Universidade de Leiden.

Tuesday, 26 January 2016

Um intervalo italiano em Leiden


No intervalo de 10 minutos do concerto de jazz, e como o Twee Spieghels só estava a servir bebidas, resolvemos ir lanchar ao Bocconi, que era já ali, ao voltar da esquina.

A acompanhar os nossos expressos,

o meu marido pediu um

Cannolo Siciliano



O recheio era bom, com sabor a laranja,

mas ainda gostámos mais da minha escolha, uma

Pastiera Napolitana

com sabor a limão. Deliciosa!

Ainda não tinha provado nenhum dos dois e soube muito bem.



Já com o estômago mais aconchegado, voltámos ao Twee Spieghels, muito a tempo da segunda parte do espectáculo: o concerto não havia ainda recomeçado...

Monday, 25 January 2016

No Twee Spieghels: Jazz em Leiden



Leidse Jazzweek 2016

No passado Sábado, à tarde, no bar
De Twee Spieghels

Gostei imenso do espaço, pequeno e acolhedor, e queremos voltar. Temos ido muito pouco a concertos de jazz e não se justifica. Afinal, nem há consumos mínimos ou obrigatórios. Das vezes que assistimos a um concerto de jazz (Delft, Amsterdam e agora Leiden), é chegar, entrar e deixar-se ir pela música. Desta vez, foi ao sabor de uma Hertog Jan. De pé, e sem queijo acompanhado de mostarda, ao contrário de Delft e Amsterdam. Mas igualmente bom, ao som de John Coltrane. E then again, em que tudo o resto ficou lá fora...



Robert Koemans Quintet

Um grupo jovem e muito bom, que leva o nome do pianista.
Do grupo, o baterista foi o meu preferido.


A foto acima foi tirada por um holandês de Groningen  que estava ao meu lado.
petite portuguesa (eu), que tinha um espécime dos homens mais altos do mundo à frente (ou seja, um holandês) e não conseguia, por isso, apanhar todos os músicos na fotografia, gostou da oferta gentil. Falámos várias vezes nessa tarde, mas nunca cheguei a saber como se chamava. "Where are you from?" perguntou-me (ouviu-me falar em português com o meu marido). "Portugal", respondi-lhe. Os olhos iluminaram-se e disse-me que esteve em Lisboa com os pais, quando era miúdo. A namorada dele, alemã, contou-me também que tinha um amigo português, músico, que sentia muitas saudades de casa. E a partir daí, falámos de saudades, da dificuldade com a língua (para ela mais fácil, claro), de virmos sozinhos ou em casal, dos motivos que nos trouxeram cá (a ela e a nós), de Almere e de Leiden, de Lisboa, Fado e espiões no Estoril na Segunda Guerra Mundial e da Noite de Santo António. Ela perguntou-me se voltávamos à noite. Disse-lhe que não sabia, que logo veríamos. Não voltámos e vim embora sem saber o nome dela também...

Fotografia tirada ao espelho, junto ao banco corrido, onde o casal estava sentado.