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Wednesday, 9 September 2015

Estaremos ao pé do piano (I)


"Bom dia! 12h30 em Amsterdam Centraal? Estaremos ao pé do piano. Bjnho." ( A S., minha ex-vizinha em Lisboa, a combinar, via sms, o nosso encontro em Amsterdam, na quinta-feira passada).

Sorri com a ideia de nos encontrarmos ainda nesse dia, junto ao piano, na bela estação de comboios de Amsterdam. O J., o primo dela, que eu ainda não conhecia, viria também. Eles já estavam a passear desde manhã. Eu iria juntar-me a partir da hora de almoço...

Lá fora, chovia, mas o tram 2 (eléctrico) para o bairro Jordaan era já ali, em frente da estação central. Num quarto de hora, nem tanto, chegámos a Prinsengracht (O Canal dos Príncipes), onde fica a famosa Casa de Anne Frank (O Anexo). Ao chegar lá, vimos filas enormes comme d' habitude...Passámos em frente e entrámos no 191, na Pancake Bakery, para almoçar, deixando a chuva para trás e permitindo que os tons quentes da sala e a decoração acolhedora do espaço, com fotografias antigas, nos envolvessem. O itinerário, que tinha desenhado para nós, começava aqui, com panquecas e poffertjes...Very Dutch...

The Pancake Bakery

À entrada (foto da S.)



Poffertjes (foto da S.)



O plano era seguir, depois, até ao Café 'T Smalle, na Egelantiersgracht, ali, a dois passos, para tomar um café ou um espresso, como se diz pelas terras baixas. Assim fizémos. O 'T Smalle, que abriu em 1978, fica situado numa antiga destilaria do século XVIII (1780) e mantém muitos traços e pormenores dessa época, desde os vitrais à escada em espiral para o primeiro andar. O ambiente, de um típico bruin café, com paredes e móveis castanhos, é uma mistura muito agradável de vizinhança de sempre com turistas à procura da atmosfera mais genuína da cidade.

Café 'T Smallle



O interior do 'T Smalle (foto da S.)



A chuva deu umas tréguas e fomos caminhar um pouco pelo bairro. O Jordaan é um dos bairros que mais gosto em Amsterdam. As casas, pequenas, serviram em tempos para alojar a chamada working class. Hoje o Jordaan é a casa de muitos estudantes, artistas, intelectuais e profissionais liberais. Almere, no seu início, começou por ter muitos habitantes oriundos deste bairro, que procuravam casas maiores a preços mais baixos.

Baixo-relevo numa rua do Jordaan



Umas fotografias depois, e voltámos para trás, em direcção à Spui, uma das minhas praças favoritas da cidade, pelas livrarias e mercado livreiro. Queria levá-los à "porta mágica", esta, que também já vos falei aqui



e nos conduz à Beguinaria (Begijnhof), onde viviam as beguinas, senhoras solteiras, que se dedicavam à Igreja e à caridade (especialmente ao cuidado de doentes).

Gosto muito dos jardins frontais das casas da Beguinaria



As beguinas professavam o voto de castidade mas não o de pobreza. Não faziam parte de nenhum convento ou Ordem (mas deviam obediência ao padre local) e podiam deixar a Beguinaria para casar. Actualmente, já não há beguinas neste espaço, tendo a última falecido a 23 de Maio de 1971, com 84 anos.

Na Beguinaria, além de um bonito jardim e dois templos religiosos (um anglicano e outro católico), encontramos também a casa de madeira mais antiga da cidade (na imagem abaixo).

Het Houten Huis (A casa de madeira)
Data de 1420 e é considerada a casa mais antiga de Amsterdam.



Junto a este oásis no centro de Amsterdam, fica o Amsterdam Historisch Museum. Neste edifício, funcionou entre 1580 e 1960, o orfanato da cidade (burgerweeshuis).





Neste museu, situa-se uma das minhas esplanadas favoritas de Amsterdam e um dos recantos mais tranquilos e protegidos da cidade - ninguém diria que, do outro lado, fica uma das ruas mais movimentadas da capital, a Kalverstraat, onde se situa a Igreja do Papagaio, que lhes mostrei também. Foi de lá que fomos em direcção à Dam Square, também a dois passos, para apanhar o eléctrico que nos levaria ao destino seguinte, no outro lado da cidade.




Igreja do Papagaio na Kalverstraat



(continua)


Thursday, 20 November 2014

Amsterdam's favourites


Talvez o meu sítio preferido em Amsterdam: a Spui, uma praça no coração da cidade, também ela "roubada" às àguas, lá pelo ano de 1882. 

Nesta praça, há uma porta que considero "mágica". Para quem  não sabe, julga tratar-se de uma porta como todas as outras, que pertence a uma casa particular, mas, não é bem assim...




Os meus amigos ficam sempre muito espantados quando, sem estarem à espera, me vêem a empurrar esta porta e a entrar. "Mas onde é que ela vai?" perguntam, sobretudo, quando lhes digo para virem comigo e seguirmos pelo corredor estreito e escuro. Até que soltam os "Ah!" e os "Oh!", quando se deparam com uma praça ajardinada, onde existem duas igrejas (uma católica e outra anglicana) e a casa de madeira mais antiga da cidade - tudo isto rodeado de casas com pequenos jardins. A última vez que lá estive, há bem pouco tempo, já depois do meu regresso à Holanda, foi com a minha compatriota I., que, por acaso, já conhecia este oásis de verde e paz no coração da cidade, mas não sabia desta entrada. Se clicarem em Begijnhof, podem ver como o jardim é bonito e acolhedor.

Há uma outra entrada que também gosto muito e que já falei aqui: é esta, na foto abaixo, na Kalverstraat, 92 e que nos leva à esplanada do Amsterdam Historisch Museum. Para a I., foi outra boa surpresa...




Esta linda entrada dá para uma simpática e sossegada esplanada, onde, geralmente, gosto de me encontrar com as minhas amigas e conhecidas. É uma área muito central e tranquila, propícia a conversas mais intimistas, e, para quem tem crianças, mais segura.




Também se come muito bem por lá, como podem ver na fotografia (tirada com a M., meses antes do regresso dela a Polónia).