"Bom dia! 12h30 em Amsterdam Centraal? Estaremos ao pé do piano. Bjnho." ( A S., minha ex-vizinha em Lisboa, a combinar, via sms, o nosso encontro em Amsterdam, na quinta-feira passada).
Sorri com a ideia de nos encontrarmos ainda nesse dia, junto ao piano, na bela estação de comboios de Amsterdam. O J., o primo dela, que eu ainda não conhecia, viria também. Eles já estavam a passear desde manhã. Eu iria juntar-me a partir da hora de almoço...
Lá fora, chovia, mas o tram 2 (eléctrico) para o bairro Jordaan era já ali, em frente da estação central. Num quarto de hora, nem tanto, chegámos a Prinsengracht (O Canal dos Príncipes), onde fica a famosa Casa de Anne Frank (O Anexo). Ao chegar lá, vimos filas enormes comme d' habitude...Passámos em frente e entrámos no 191, na Pancake Bakery, para almoçar, deixando a chuva para trás e permitindo que os tons quentes da sala e a decoração acolhedora do espaço, com fotografias antigas, nos envolvessem. O itinerário, que tinha desenhado para nós, começava aqui, com panquecas e poffertjes...Very Dutch...
The Pancake Bakery
À entrada (foto da S.)
The Pancake Bakery
À entrada (foto da S.)
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Poffertjes (foto da S.)
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O plano era seguir, depois, até ao Café 'T Smalle, na Egelantiersgracht, ali, a dois passos, para tomar um café ou um espresso, como se diz pelas terras baixas. Assim fizémos. O 'T Smalle, que abriu em 1978, fica situado numa antiga destilaria do século XVIII (1780) e mantém muitos traços e pormenores dessa época, desde os vitrais à escada em espiral para o primeiro andar. O ambiente, de um típico bruin café, com paredes e móveis castanhos, é uma mistura muito agradável de vizinhança de sempre com turistas à procura da atmosfera mais genuína da cidade.
Café 'T Smallle
O interior do 'T Smalle (foto da S.)
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A chuva deu umas tréguas e fomos caminhar um pouco pelo bairro. O Jordaan é um dos bairros que mais gosto em Amsterdam. As casas, pequenas, serviram em tempos para alojar a chamada working class. Hoje o Jordaan é a casa de muitos estudantes, artistas, intelectuais e profissionais liberais. Almere, no seu início, começou por ter muitos habitantes oriundos deste bairro, que procuravam casas maiores a preços mais baixos.
Baixo-relevo numa rua do Jordaan
Umas fotografias depois, e voltámos para trás, em direcção à Spui, uma das minhas praças favoritas da cidade, pelas livrarias e mercado livreiro. Queria levá-los à "porta mágica", esta, que também já vos falei aqui
e nos conduz à Beguinaria (Begijnhof), onde viviam as beguinas, senhoras solteiras, que se dedicavam à Igreja e à caridade (especialmente ao cuidado de doentes).
Gosto muito dos jardins frontais das casas da Beguinaria
As beguinas professavam o voto de castidade mas não o de pobreza. Não faziam parte de nenhum convento ou Ordem (mas deviam obediência ao padre local) e podiam deixar a Beguinaria para casar. Actualmente, já não há beguinas neste espaço, tendo a última falecido a 23 de Maio de 1971, com 84 anos.
Na Beguinaria, além de um bonito jardim e dois templos religiosos (um anglicano e outro católico), encontramos também a casa de madeira mais antiga da cidade (na imagem abaixo).
Het Houten Huis (A casa de madeira)
Data de 1420 e é considerada a casa mais antiga de Amsterdam.
Het Houten Huis (A casa de madeira)
Data de 1420 e é considerada a casa mais antiga de Amsterdam.
Junto a este oásis no centro de Amsterdam, fica o Amsterdam Historisch Museum. Neste edifício, funcionou entre 1580 e 1960, o orfanato da cidade (burgerweeshuis).
Neste museu, situa-se uma das minhas esplanadas favoritas de Amsterdam e um dos recantos mais tranquilos e protegidos da cidade - ninguém diria que, do outro lado, fica uma das ruas mais movimentadas da capital, a Kalverstraat, onde se situa a Igreja do Papagaio, que lhes mostrei também. Foi de lá que fomos em direcção à Dam Square, também a dois passos, para apanhar o eléctrico que nos levaria ao destino seguinte, no outro lado da cidade.
Igreja do Papagaio na Kalverstraat
(continua)
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