Eu gosto da simplicidade e do espírito prático holandeses, mas já não aprecio um certo descuido e desmazelo com a aparência. Quando chegámos aqui, em finais de 2007, achei que a mulher portuguesa tinha, de longe, mais cuidado consigo própria, mesmo na sua forma mais casual e prática de vestir. Só em Haia, as senhoras me pareceram mais arranjadas e com aspecto mais cuidado. No entanto, pouco tempo depois, observei as mesmas "tendências" no nosso jardim à beira-mar plantado. E é nesse sentido, que as viagens a Bruxelas me permitem um certo "lavar de vistas" no que à elegância diz respeito. Volto atrás no tempo e volto com prazer.
Os "modismos" de que falo e não aprecio são os seguintes:
a) o uso indiscriminado de
leggings (sobretudo brancas) e que é transversal a diversas faixas etárias;
b) as micro-saias que mais parecem cintos, sobretudo em senhoras mais gordinhas;
c) a proliferação de tachinhas nos acessórios;
d) a maquilhagem pesada e exagerada;
e) os saltos altíssimos e desproporcionados;
f) as doses "industriais" de perfume;
g) o uso de botas de pêlo no Verão (vi algumas raparigas nestes preparos, sim);
h) o cabelo muito curto, cortado à rapaz, que noto, sobretudo, nas senhoras mais velhas;
i) a t-shirt branca de manga curta por baixo da camisa aberta, no caso dos homens, sobretudo em ambiente de trabalho (esta prática ainda não vi em Portugal).
Que cada um se veste como quer, diz o politicamente correcto. Mas eu não sou politicamente correcta.
E há certas coisas que aprendi na adolescência e que, para mim, continuam a fazer todo o sentido, a saber:
a) a maquilhagem deve ser aplicada de acordo com o tom de pele e formato do rosto;
b) o perfume deve ser colocado q.b.;
c) sapatos de acordo com a altura, o peso e a estação do ano;
d) peças de vestuário bem conjugadas, de acordo com o nosso tipo físico (para favorecer a nossa silhueta) e a estação do ano (mais higiénico e confortável);
e) unhas arranjadas (leia-se limpas e limadas), banhinho tomado e desodorizante colocado..
f) corte de cabelo que favoreça o rosto e os nossos pontos fortes, não o contrário.
Sim, gosto de "lavar as vistas" nas galerias comerciais de Bruxelas. Faço por ignorar o que não gosto e concentrar-me nos senhores e senhoras bem vestidos que vão passando...Para a próxima, acho que peço licença para fotografar...
Há um outro motivo que também me faz gostar destas galerias: as lojas de comércio tradicional.
Eis alguns exemplos:
A loja de luvas
J.B. Guanti nas Galerias Reais de Saint Hubert.
A
Cutelaria do Rei, fundada no século XVIII, na
Passage du Nord.